emanuellima – Emanuel Messias Alves de lima https://cantandohistoria.com My WordPress Blog Sat, 27 Sep 2025 04:39:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 O Pacificador – Caxias https://cantandohistoria.com/2025/09/27/caxias-pacificador/ https://cantandohistoria.com/2025/09/27/caxias-pacificador/#respond Sat, 27 Sep 2025 04:39:35 +0000 http://localhost/wordpress/?p=24 No Brasil tivemos muitas guerras. Se eu sei algo sobre guerras é isso: se possível, evite-as. Mas já que elas aconteceram, podemos falar sobre. Neste Post conheça Duque de Caxias.

Pacificador

Luís Alves de Lima e Silva, ocupa um lugar central na história brasileira.

Nasce numa fazenda no Rio de janeiro, sendo filho de um renomado militar, é influenciado pelo pai a seguir carreira.

Com apenas cinco anos de idade ele vira cadete no 1º regimento de Infantaria de Linha. Sim, aos cinco anos de idade! Eram os anos 1.800, mais precisamente 1.808, isso seria bizarro hoje em dia, mas na época não era nada de mais, perfeitamente normal.

Definitivamente, avôs e avós são para estragar as crianças, não para educá-las…, O avô dele era o comandante do regimento. Mas vamos em frente.

Ingresso na Academia Real

Em 1.818, ele ingressa na Academia Real Militar, Três anos depois sai de lá como Tenente.

Daqui a gente pula pra guerra, porque o texto está ficando chato e a guerra é o que interessa.

Enfim sua carreira militar começa a ter importância mesmo na Guerra da Cisplatina onde demonstra liderança e outras habilidades.

Durante a guerra dos Farrapos, uma revolta regional na verdade, onde um grupo de pessoas do Rio Grande do Sul luta contra o governo Imperial brasileiro, Luís Alves, já coronel, tem um papel fundamental na pacificação da região, negociando com líderes rebeldes

Ele entra com diplomacia na balaiada e usa força militar somente quando realmente necessário, reestabelecendo a paz na região do Maranhão.

Auge

Definitivamente, seu auge acontece na Guerra do Paraguai (1864-1870): um dos maiores e mais sangrentos conflitos na América do Sul, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Então, Luís, se torna Duque de Caxias em 1.869, sendo o único brasileiro a conquistar o título de Duque, nomeado comandante das forças brasileiras lidera campanhas decisivas que resultam na vitória contra o Paraguai. Sua estratégia e liderança são cruciais para o sucesso do Brasil na guerra.

Eventualmente, O pacificador deixa a guerra praticamente ganha, em seu lugar assume o Conde D’Eu com a missão de evitar uma reorganização das forças paraguaias e eliminar o presidente vitalício/ditador/chefe de Estado e iniciador da guerra Solano Lopes.

Enfim, o desempenho em tantas guerras ajuda a formar a geografia brasileira de hoje. Podendo ser considerado um herói por sua influência e conquistas.

Anualmente comemoramos o dia do soldado, no dia 25 de agosto, em homenagem ao seu aniversário.

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Nilo Peçanha – O presidente Negro https://cantandohistoria.com/2025/09/26/nilo-pecanha/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/nilo-pecanha/#respond Fri, 26 Sep 2025 23:42:34 +0000 http://localhost/wordpress/?p=20 Ter sido o primeiro e, até a data em que escrevo, o único presidente negro do Brasil, além de ainda ter conseguido influenciar a população a eleger seu candidato preferido nas eleições seguintes são alguns dos feitos de Nilo Peçanha. Um herói que os livros esquecem.

Além disso, com apenas três meses de governo, implementou as escolas técnicas federais, dando oportunidade de obter uma profissão a todos, inclusive aos negros recém-libertos que, até então, não tinham acesso à educação e profissionalização.

Mas o que faz de Nilo Peçanha um Herói?

Finalmente, o que realmente faz de Nilo Peçanha um herói é sua trajetória de vida! Nasceu pobre e preto. E nascer pobre e preto em 1867 significava que sua vida provavelmente seria difícil, muito difícil. Morava em um sítio, num morro do Rio de Janeiro. Mas teve a felicidade de mudar para a cidade quando atingiu idade escolar.

Resumo

Teve oportunidades que muitos outros não tiveram, sendo brancos ou pretos. Pôde estudar e teve uma base familiar. Mas isso não é desculpa.

Obs.: Vou pular a fase em que estudou direito e outras coisas para não ficar chato.

Conheceu e casou com Ana de Castro, de origem rica de Campos dos Goytacazes.

Mas não pense que deu o golpe do baú. Ao contrário, a rica moça virou pobre moça ao fugir para casar com Nilo.

Nessa época, ele já era um político promissor, mas para a família de sua esposa e para boa parte da imprensa, o fato de uma jovem de família aristocrática e rica casar-se com um “mulato”, como resolveram adjetivá-lo pejorativamente, era um escândalo. Em charges e anedotas, foi ridicularizado por parte da imprensa que focava em diminuí-lo por sua cor de pele. E chamado de “O mestiço do morro” pela elite de Campos dos Goytacazes.

Nada disso diminuiu a bravura de nosso personagem. Talvez, ao contrário, tenha fortalecido suas convicções.

Abolicionista

Eventualmente participou de campanhas abolicionistas republicanas. Foi eleito para a assembleia constituinte. Depois, eleito senador, posteriormente à presidência do estado do Rio de Janeiro (equivalente a governador).

Posteriormente foi eleito vice-presidente da república em 1906, se tornaria presidente de 1909 a 1910.

Fez um bom governo. Criou o serviço de proteção aos índios e a primeira escola técnica do Brasil. Nilo Peçanha hoje é o patrono da educação profissional e tecnológica no Brasil, através da Lei 12.417/2011, que oficializou a homenagem em 2011.

Em 1920, Portugal o agraciou com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Obs. 2: Parece que os portugueses valorizam mais nossos heróis do que nós mesmos.

Resumindo esse resumo e dando pitaco:

Outros presidentes tiveram descendência africana, mas o único de pele escura foi Nilo Peçanha.

Apesar de ter quase tudo contra, Nilo Peçanha não se fez de vítima. Venceu na vida por seus méritos e inteligência.

Sim. Tivemos um presidente negro, ou pardo. E por algum motivo, raramente se fala disso.

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Machado de Assis https://cantandohistoria.com/2025/09/26/machado/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/machado/#respond Fri, 26 Sep 2025 23:13:11 +0000 http://localhost/wordpress/?p=18 Machado de Assis não guerreou, mas heróis estão por aí. Fazendo história.

Herói

Herói: indivíduo notabilizado por suas realizações, seus feitos guerreiros, coragem, abnegação, magnanimidade. Esta é a definição no dicionário de Oxford.

Leia com atenção:

Herói: indivíduo notabilizado por suas realizações.

Herói: Realizações.

Não se trata de qualquer escritor, trata-se do autodidata, fundador da Academia Brasileira de Letras, mulato… Machado de Assis. Mulato, sim. E por mais que eu não goste de me referir a pessoas pela cor, etnia, ou qualquer coisa além de ser humano ou pessoa, neste caso, é necessário dizer que era mulato. Pois isso seria um empecilho, não fosse a grandiosidade do nosso personagem.

Negro sim, Vitima nunca!

Mesmo sem uma educação formal, nascido em 1839, não era de se esperar que se tornasse um dos maiores e melhores escritores do país. Vivendo no Rio de Janeiro, que era a capital do império, o que não quer dizer que era agradável. Enfim era um lugar sem energia elétrica, a cidade era habitada por imigrantes europeus, africanos, mestiços e escravos. O morro do Livramento, onde Assis morava, era pobre. Nas ruas estreitas e movimentadas, havia lampiões de azeite de peixe que iluminavam a noite.

Desde cedo, Machado enfrenta dificuldades que desmotivariam muitos outros. Apesar de ser filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira, de ter perdido a mãe muito jovem e ser criado por uma madrasta numa situação financeira precária, a família não permitiria que frequentasse uma escola formal. Então busca educação por conta própria, lendo livros que consegue pegar emprestado.

Logo depois de completar 14 anos, publica o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854.

Apesar de tudo, em sua vida, escreveu romances, sonetos, artigos sobre teatro, peças teatrais, entre outras obras. Seus romances, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, são considerados obras-primas da literatura brasileira e revelam uma profunda compreensão da natureza humana e das complexidades sociais.

Frequentemente, Machado de Assis defendia o fim da escravidão, não aceitava essa situação, mesmo nunca tendo sido escravo. Todas as vezes que podia, diferente da política de libertação adotada pelo império, defendia uma preparação para a vida pós libertação.

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Cabral – O Cavaleiro Templário https://cantandohistoria.com/2025/09/26/cabral/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/cabral/#respond Fri, 26 Sep 2025 22:55:51 +0000 http://localhost/wordpress/?p=16 Dominar o mar, ter os melhores acordos comerciais e as melhores rotas não são o bastante. Em certo momento e pra certas pessoas estar à frente do tempo e das intempéries, vislumbrar o futuro e criar o futuro é o que forma grandes empreendedores.

Apesar de não ser marinheiro, mas sendo um cavaleiro templário. Cabral foi levado ao posto de capitão para comandar uma aventura para terras “desconhecidas”. Agora comandando grandes embarcações, Pedro Álvares Cabral dirige-se ao desconhecido, guiando-se pelas estrelas e pela fé, levando consigo a esperança e a vida de centenas de marujos.

Destemido

Sem medo das marés, dos monstros do mar, dos piratas ou do desconhecido, nosso herói avista um monte no fim do horizonte. Monte esse que batizaria de Monte Pascoal.

Foi um grande presente de Páscoa, se é que se dá presentes na Páscoa, mas eu achei legal escrever isso, aquele monte que parecia estar numa ilha, estava na verdade em uma terra de dimensões continentais. Ilha de Vera Cruz mostrou-se um nome inapropriado, Terra de Santa Cruz, então.

Nosso navegador, que há muito contribuía para a expansão portuguesa, agora tinha algo para brilhar na história, algo que muitos historiadores dizem que talvez nem ele soubesse, e outros que ele sabia, mas não é o foco desse Post aprofundar.

Seguindo para as Índias

Após chegar à Terra de Santa Cruz seguiu para as Índias a fim de estabelecer relações comerciais. Antes de ir, desembarcou no que hoje é Porto Seguro, na Bahia. Por cerca de 10 dias explorou o litoral e reivindicou essa terra para a Coroa Portuguesa.

A escolha de Cabral para essa viagem do que chamamos de descoberta não me parece ter sido ao acaso. Todo o investimento para descobrir uma nova rota para as Índias, ou, novamente, como afirmam muitos historiadores, Cabral ter desviado do caminho e ter “topado” com o Brasil, não me parece plausível. O Tratado de Tordesilhas, formado anos antes, dividia o mundo supostamente desconhecido entre Portugal e Espanha. Como já havia sido avistada terra na parte norte, o tratado, sem conhecimento da Terra de Santa Cruz, era muito vantajoso para a Espanha.

Sobretudo, o rei D. Manuel de Portugal era astuto e não arriscava o tesouro português. Escolhia a dedo onde e quando investir. Prova disso, não ter financiado o grande navegador Fernão de Magalhães em sua brilhante expedição. Deveria ter financiado, mas essa é outra história.

Impacto

A “descoberta” de Pedro Álvares Cabral teve um impacto profundo na economia e na política mundial, além de influenciar significativamente o desdobramento histórico. Sem essa descoberta, seja ela considerada positiva ou negativa, não estaríamos aqui hoje.

Enquanto a riqueza natural do território, especialmente o pau-brasil, atraiu a atenção dos portugueses e impulsionou a economia colonial. A exploração e exportação de recursos naturais, como açúcar, ouro e café, transformaram o Brasil em uma das colônias mais valiosas do Império Português.

Imediatamente, a descoberta fortaleceu a posição de Portugal como uma potência marítima e colonial. A transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 garantiu a continuidade do governo português e transformou o Rio de Janeiro na capital do império. Em seguida a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815, foi uma resposta à invasão napoleônica na Europa.

Ao passo que houve a invasão napoleônica, o Brasil tornou-se um refúgio seguro para a família real portuguesa e um centro de poder estratégico. A presença da corte no Brasil trouxe desenvolvimento econômico e cultural, incluindo a abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional e a criação de instituições culturais e educacionais.

Em resumo

Ao passo que Cabral “descobriu” o Brasil, a subsequente colonização teve um impacto duradouro na história mundial. O Brasil emergiu como uma peça-chave no tabuleiro geopolítico da época, influenciando a economia, a política e a cultura global.

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Conde D’Eu https://cantandohistoria.com/2025/09/26/conde-deu/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/conde-deu/#respond Fri, 26 Sep 2025 22:26:41 +0000 http://localhost/wordpress/?p=14 Princesa Isabel, heroína por méritos ou circunstâncias, é um nome popular graças à Lei Áurea, nome não tão popular é o de seu esposo Gastão de Orleans o Conde D’Eu(Lê-se Conde Di).

Aventura

Uma aventura, um casamento, um novo mundo. Comprometido com uma princesa, Gaston viaja ao Brasil para conhecer sua prometida. Ansioso talvez, disposto com certeza.

  • Currículo: príncipe francês sem direito ao trono, sua família fora banida e viveriam num palacete na Inglaterra cedido pela Rainha Vitória, prima de sua mãe. Militar famoso pela Espanha, frequentou a Academia Militar de Segóvia. Participou da guerra contra os mouros de Marrocos, ganhando o posto de capitão de cavalaria e algumas medalhas. Estudioso, poliglota, e relativamente famoso.

Ao desembarcar foi logo conhecer sua prometida, ninguém menos que uma princesa do Brasil, Leopoldina.

Um fato sem importância

Um fato sem importância, mas interessante, Gaston achou a princesa, simplesmente, feia. Interessante porque Gaston, apesar de suas muitas qualidades, não era, visualmente, grande coisa.

Assim como pode ser difícil prever as marés, não se pode prever os humanos. Depois de uma longa viagem, cansativa e frustrante, mais frustrante foi não se afeiçoar. Então era necessário se apaixonar pela princesa? Não. Era um casamento arranjado entre nobres. Mas se apaixonar seria muito bom.

Apesar de não se afeiçoar a princesa prometida, a irmã da mesma, Isabel, apesar de ser visualmente tão desinteressante quanto Leopoldina, por algum motivo despertou o interesse e conquistou o francês. Leopoldina também não ficou só, o acompanhante de Gaston na jornada estava “prometido” a Isabel, mas aceitou trocar de parceira.

Tudo bem, como eu disse eram casamentos arranjados, certo. E estranhamente, apesar das disputas, parece que todo mundo era parente nessa época. Pelo menos nas cortes europeias.

Voltando ao que é importante

Isabel do Brasil, princesa imperial, foi de suma importância para o fim da escravidão. Perseguida por grande parte da imprensa por se casar com um “estrangeiro”. Foi regente do Brasil por três vezes, na ausência do imperador, D. Pedro II. Na primeira, assinou, com anuência do Imperador, a Lei do Ventre Livre, que tornava livre qualquer filho de escrava nascido a partir daquela data. Na segunda, assinou a Lei Áurea, mesmo enfrentando a pressão contrária da sociedade, militares e políticos.

Mas voltemos a Gaston, ou melhor, Luís Filipe Maria Fernando Gastão d’Orléans, o Conde D’Eu. Em 1864, casou-se com a princesa imperial Isabel. Em pouco tempo foi nomeado comandante geral de artilharia e presidente da comissão de melhoramentos do Exército quando foi iniciada a Guerra do Paraguai.

É nessa guerra que Conde D’Eu ganha status de herói. Nomeado comandante-chefe dos Exércitos Aliados, substituindo o Duque de Caxias, em 1869, Gaston finaliza a guerra em um ano e decreta, com a permissão do imperador, o fim da escravidão no Paraguai.

Forças paraguaias invadiram as províncias brasileiras de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Após anos de batalha e com a guerra “ganha”, Caxias decide afastar-se, por não ver necessidade de caçar o ditador paraguaio Solano López, que iniciou a guerra. Gaston assume o posto, mais que caçar López, reorganiza as forças armadas, demite supostos saqueadores e reanima o exército. Após o fim da guerra e morte de Solano López, Gaston volta ao Brasil e é recebido como herói.

Impopularidade orquestrada

Apesar dos grandes feitos e do apreço popular, Conde D’Eu e Princesa Isabel tornam-se vítimas de calúnias e injúrias por parte de militares e da imprensa. Perseguidos pelo recém-formado “Clube dos Republicanos” e estranhamente ignorados pelo Imperador.

Imprensa e influentes do governo jogavam a culpa de qualquer problema do país nos dois, isentando D. Pedro II e qualquer outro de culpa. O Conde e a princesa, apesar de não participarem da política, salvo quando em regência, passaram a ser atacados pela imprensa republicana. Em especial por Rui Barbosa, que contribuiu muito para a queda da popularidade do casal.

Em resumo:

Apesar da luta pela soberania nacional e pela abolição da escravidão junto a sua esposa, Princesa Isabel, foi perseguido por ser estrangeiro e talvez por ser um empecilho ao golpe de estado que viria contra o Imperador, por parte do exército que o próprio imperador fortaleceu. Golpe esse apoiado pela imprensa republicana, que infelizmente, ao invés de fazer jornalismo, fazia panfletagem.

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Luís Gama https://cantandohistoria.com/2025/09/26/luis-gama/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/luis-gama/#respond Fri, 26 Sep 2025 05:33:07 +0000 http://localhost/wordpress/?p=11

Luís Gama teve uma longa caminhada das praias do litoral sul de São Paulo a Capital, numa fila de homens, mulheres e crianças.

Alguns acorrentados e outros, já mansos, apenas seguindo comandos, como cachorros domesticados que seguem seus donos a qualquer lugar deixando ou não um rastro pelo caminho e comendo as migalhas que caem ao chão, aguardando o momento que ficarão totalmente gratos e satisfeitos com uma porção de ração ou pedaço de algum alimento que não agradaria urubus.

Mais alguns quilômetros

Mais alguns quilômetros, é o pensamento na mente dos acorrentados – só mais alguns infindáveis quilômetros…

Mas o sofrimento não chegará ao fim, o fim da caminhada não significa alegria, significa o começo de algum trabalho que esses homens, mulheres e crianças não desejam fazer.

Infindáveis quilômetros adiante, a fila chega à metrópole. Se bem que não deveria chamar de metrópole, São Paulo à época não era mais que um vilarejo subdesenvolvido. Um retrato mal desenhado de cidades Portuguesas subdesenvolvidas. Uma cidade em transformação, em crescimento, mas com ruas de terra, poucas construções de alvenaria habitadas por colonos europeus. Predominantemente agrária, a cidade precisava desses novos habitantes que vinham em filas para seus novos trabalhos indesejados.

Pés calejados, rostos chorosos, rostos inexpressivos, rostos cansados. Alguns indignados, é claro. Mas o adestramento chegaria também para esses. Diferente dos indígenas esses negros formariam uma boa frente de trabalho para o cultivo do café que se solidificava e transformava a cidade.

Era um mal necessário.

Até a proibição do tráfico de escravos, em 1.850, a maior parte da mão de obra vinha da Guiné e Angola. Navios negreiros transportavam os cativos comprados na África. Pessoas com destino definido enfrentavam trabalhos forçados, provavelmente separados de suas famílias e subjugados onde quer que fossem. As guerras africanas, assim como qualquer guerra à época, rendiam riquezas e mão de obra barata aos vencedores. Aos perdedores, cabia a dor.

A Lei do Ventre Livre, promulgada apenas em 1.871. Antes disso, além de os viajantes terem como destino a subserviência, seus filhos teriam a mesma herança.

1840

O ano em que essa fila em particular chegou caminhando, 1.840, não tinha nada de especial, nada de especial também parecia ter os sofridos viajantes não contentes. Mas uma pessoa nessa fila é o herói desse capítulo, um descendente da Costa da Mina, da Nação Nagô Jeje, que hoje corresponde a República do Benim e descendente também de Portugal. Essa pessoa, de aproximadamente 10 anos de idade, mestiço, era alguém incomum nessa situação. Diferente da maioria dos outros em caminhada esse rapaz nasceu livre, não participou de guerras africanas e não tinha débitos com ninguém. Acredito até que foi amado por sua mãe. Sua mãe… Luiza Mahin, mulher africana livre, que como a maioria de nós seres humanos faria, lutou pela liberdade de seus pares.

Em 1.835, Mahin participou da Revolta do Malês e de 1.837 a 1.838 da Sabinada. Descoberta, foi forçada a fugir para evitar a prisão e eventualmente a morte. Sua fuga deixou nosso herói aos cuidados de seu pai. Homem branco, europeu, já carregando o que seria a época vergonha de ter um filho com uma negra, agora tinha que cuidar do filho de uma fugitiva. Viciado em apostas e com dívidas, decidiu que vender seu filho seria uma boa ideia. Boa ideia também teve seu comprador, de comprar escravos na Bahia e transportá-los para São Paulo. Uma questão de preço.

Honestamente, não consigo imaginar o que passava pela cabeça de nosso herói, mas o futuro foi brilhante.

Luís Gama

Depois de chegar a São Paulo, cidadezinha em transformação, transformado em escravo, assim, permaneceu por longos anos.

Então Nosso herói, Luís, foi forçado a trabalhar em diversas tarefas domésticas e agrícolas. como era eloquente, agradável e amigável, apesar das circunstâncias, fez amigos. Afinal não distinguia cor, raça, etnia…

Aprendeu a ler e escrever com a ajuda de amigos que fez, de um hóspede de seu “dono” e de africanos muçulmanos que conheceu.

Aos 18 anos, conseguiu alforria, ao provar que não nasceu escravo. Aprender a ler e escrever foram fundamentais para sua liberdade. Posteriormente, fundamental também foi o período em que frequentou como ouvinte a Faculdade de Direito do Largo São Francisco e adquiriu conhecimentos jurídicos que usaria numa luta maior que ele mesmo.

Livre

Agora livre, ou liberto, precisava de uma ocupação. As dificuldades eram muitas, liberto, mas sem casa, sem renda, sem expectativas, alistou-se na Força Pública da Província de São Paulo, uma espécie de Guarda Municipal, onde serviu por cerca de seis anos.

Viveu em alojamentos da guarda nesse período, desenrolado, evoluiu e chegou ao cargo de cabo de esquadra, posteriormente foi nomeado escrevente da Secretaria de Polícia. Nesse período aprofundou seus estudos e conhecimentos jurídicos e aproximou-se da literatura.

1850

Por volta de 1.850 já com algum conhecimento das Leis, Luís frequentou a Faculdade como ouvinte. Persistiu, mesmo sendo impossibilitado de se tornar oficialmente aluno e destacou-se como Rábula.

Nesse ponto da vida nosso herói, além da superação na vida pessoal, que já é algo incrível, realmente começa a fazer algo para ser lembrado, pensado, ensinado… Luís Gama começou a encontrar brechas nas Leis que geram direito à liberdade de centenas de escravos. Tendo acesso a documentos importantes, trabalhando na Secretaria de Polícia, entrou em contato com diversos escravos e ouviu suas histórias.

Em 1.856 Gama representaria Francisco, um escravo. Como argumento principal usa a Lei Feijó, de 1.831, que declarava livres todos os escravos vindos de fora do império. Apesar de ser uma Lei, geralmente, não respeitada, como muitas Leis no Brasil, Gama argumentou brilhantemente e conquistou a liberdade de Francisco!

A caminhada agora é outra

Libertar Francisco foi o primeiro marco na carreira de Luís Gama, posteriormente Gama foi colunista em vários jornais, articulista, denunciava os horrores da escravidão e defendia a igualdade racial.

Formou frentes de resistência pacifica e articulação política contra a escravidão com líderes abolicionistas como Antônio Bento e Rui Barbosa. Gama defendia que não havia justificativa moral ou legal para a escravidão, destacando também que a escravidão não criava direitos de propriedade legítimos.

Em sua carreira conseguiu a liberdade de mais de 500 pessoas. Um destaque merecido a questão Netto, maior ação coletiva de libertação de escravizados nas Américas.

Uma longa caminhada, mas agora não do litoral a São Paulo e sim de São Paulo ao litoral. Por ironia do destino, pelas linhas tortas, pela improbabilidade infinita… ou o que seja, Gama foi autor do maior processo de libertação de escravizados nas Américas, em Santos. Lugar que deve ter lhe trazido várias lembranças por nós inimagináveis.

Uma matéria de jornal e uma ação

Ao ler uma matéria em um jornal, soube de um fidalgo Português que faleceu, deixando em testamento a liberdade de todos os seus cativos. Imediatamente Gama fez um levantamento de quem seriam esses escravos e entrou com ação na justiça para fazer valer a vontade do falecido. Então Iniciou uma longa batalha judicial começa, várias instâncias, vitórias e derrotas, mas no fim a vitória, parcial. O tribunal de justiça decreta que todos os servos de Netto sejam libertados após 12 anos da lavratura do testamento. 217 Pessoas libertas de uma vez.

A luta de Luís Gama tem impacto significativo na história do Brasil, sua vida, sua carreira…

Carreira terminada em 1.882, apenas 6 anos antes da abolição da escravidão.

Abolição assinada pela Princesa Isabel.

Hoje, Gama é reconhecido como Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil e seus documentos históricos foram reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

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O Soldado de Saias https://cantandohistoria.com/2025/09/26/o-soldado-de-saias/ https://cantandohistoria.com/2025/09/26/o-soldado-de-saias/#respond Fri, 26 Sep 2025 04:56:02 +0000 http://localhost/wordpress/?p=9 O soldado de saias teve grande destaque na guerra da independência do Brasil.

Na guerra da independência… não, não foi exatamente guerra da independência, né? Guerra da secessão, guerra da separação do império, guerra do… Enfim. Em outra hora conto essa história, mas não se pode guerrear pela independência quando se é a capital do reino.

Guerra da Secessão

No reino de Brasil, Portugal e Algarves, a história de um soldado chama a atenção. Talvez esse soldado seja a primeira feminista do Brasil, se entendermos feminismo por lutar por equidade. De qualquer forma, foi a primeira mulher soldado, Dona Maria Quitéria, da Bahia.

São José das Itapororocas ou Feira de Santana.

Então uma área rural, atividades agrícolas, costumes bem definidos, São José do Itapororocas esperava de uma mulher costurara e cuidados com a casa, aos homens, naturalmente (anos 1822), caçar, negociar, lutar…, no entanto Maria largava seus afazeres para andar a cavalo e caçar, uma verdadeira Maria Moleque, mas com 30 anos.

Era uma Moça bonita, graciosa, desajustada em seu tempo.

Em 1822 os ânimos estavam acirrados com uma parte da população vibrando com a ascensão de Dom Pedro ao império e a separação do reino, outra parte querendo manter o domínio Português e talvez tornar o Brasil, como foi antes da chegada da família real, uma colônia.

No entanto, ao saber dos guerreiros voluntários de Dom Pedro, Maria se vestiu de homem e se alistou, ludibriando seu pai e os oficiais.

Em pouco tempo ela se mostra um dos melhores soldados, demonstrando qualidades excelentes.

O Soldado de Saias: Soldado Medeiros

A principio, soldado Medeiros, foi o nome utilizado para entrar no exército patriota, cabelo cortado, postura masculina, magro e frágil em comparação com outros soldados, mas demonstrando excelentes habilidades com armas e cavalos. Além de muita coragem e convicção.

Eventualmente Soldado Medeiros seria descoberto por seu pai, que revelaria ao exército que ele era ela!

Apesar da surpresa, ao contrário de choque, punição, etc., o major de Maria Quitéria/Soldado Medeiros permitiu que ela continuasse no batalhão, admitindo suas qualidades como soldado.

A partir dessa autorização, o soldado Medeiros vestiu uma saia e agora se apresenta como Soldado Maria Quitéria. O soldado de saias.

Família

Seu pai a deserdou, mas o exército a abraçou.

Já de saias, lutou bravamente numa emboscada sofrida na Ilha de Maré, lutou novamente em Itapoã, onde atacou uma trincheira inimiga e fez prisioneiros. Foi promovida por sua bravura e desempenho.

Seu jeito de menino e dedicação à causa patriota não afastaram sua feminilidade, Maria Quitéria conheceu um belo homem no exército, se encantou e com ele se casou. Depois se separou ou ele morreu… Não importa. O capítulo não é sobre amor.

Ao final da guerra, após a desistência dos não separatistas, Maria solicitou ir ao Rio de Janeiro beijar a mão do imperador. Dom Pedro recebeu de bom grado o soldado de saias e o condecorou com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, uma das maiores honrarias do Brasil, e a promoveu a Alferes de Linha.

Depois de muito tempo Maria Quitéria foi perdoada por seu pai, com a ajuda do Imperador que enviou uma carta solicitando o perdão ao soldado(a), Maria volta ao convívio com a família. Casa-se com seu primeiro namorado e tem uma filha.

A rebeldia, coragem, graciosidade, atitude e vitórias de uma mulher soldado numa época absolutamente “machista” tornam única a emocionante história de Maria Quitéria.

Podemos encontrar bons livros com detalhes de sua brilhante história, que eu deliberadamente resumi, nas últimas páginas dos marketplaces de livros ou escondidos nas últimas seções de bibliotecas.

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