O Soldado de Saias

O soldado de saias teve grande destaque na guerra da independência do Brasil.

Na guerra da independência… não, não foi exatamente guerra da independência, né? Guerra da secessão, guerra da separação do império, guerra do… Enfim. Em outra hora conto essa história, mas não se pode guerrear pela independência quando se é a capital do reino.

Guerra da Secessão

No reino de Brasil, Portugal e Algarves, a história de um soldado chama a atenção. Talvez esse soldado seja a primeira feminista do Brasil, se entendermos feminismo por lutar por equidade. De qualquer forma, foi a primeira mulher soldado, Dona Maria Quitéria, da Bahia.

São José das Itapororocas ou Feira de Santana.

Então uma área rural, atividades agrícolas, costumes bem definidos, São José do Itapororocas esperava de uma mulher costurara e cuidados com a casa, aos homens, naturalmente (anos 1822), caçar, negociar, lutar…, no entanto Maria largava seus afazeres para andar a cavalo e caçar, uma verdadeira Maria Moleque, mas com 30 anos.

Era uma Moça bonita, graciosa, desajustada em seu tempo.

Em 1822 os ânimos estavam acirrados com uma parte da população vibrando com a ascensão de Dom Pedro ao império e a separação do reino, outra parte querendo manter o domínio Português e talvez tornar o Brasil, como foi antes da chegada da família real, uma colônia.

No entanto, ao saber dos guerreiros voluntários de Dom Pedro, Maria se vestiu de homem e se alistou, ludibriando seu pai e os oficiais.

Em pouco tempo ela se mostra um dos melhores soldados, demonstrando qualidades excelentes.

O Soldado de Saias: Soldado Medeiros

A principio, soldado Medeiros, foi o nome utilizado para entrar no exército patriota, cabelo cortado, postura masculina, magro e frágil em comparação com outros soldados, mas demonstrando excelentes habilidades com armas e cavalos. Além de muita coragem e convicção.

Eventualmente Soldado Medeiros seria descoberto por seu pai, que revelaria ao exército que ele era ela!

Apesar da surpresa, ao contrário de choque, punição, etc., o major de Maria Quitéria/Soldado Medeiros permitiu que ela continuasse no batalhão, admitindo suas qualidades como soldado.

A partir dessa autorização, o soldado Medeiros vestiu uma saia e agora se apresenta como Soldado Maria Quitéria. O soldado de saias.

Família

Seu pai a deserdou, mas o exército a abraçou.

Já de saias, lutou bravamente numa emboscada sofrida na Ilha de Maré, lutou novamente em Itapoã, onde atacou uma trincheira inimiga e fez prisioneiros. Foi promovida por sua bravura e desempenho.

Seu jeito de menino e dedicação à causa patriota não afastaram sua feminilidade, Maria Quitéria conheceu um belo homem no exército, se encantou e com ele se casou. Depois se separou ou ele morreu… Não importa. O capítulo não é sobre amor.

Ao final da guerra, após a desistência dos não separatistas, Maria solicitou ir ao Rio de Janeiro beijar a mão do imperador. Dom Pedro recebeu de bom grado o soldado de saias e o condecorou com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, uma das maiores honrarias do Brasil, e a promoveu a Alferes de Linha.

Depois de muito tempo Maria Quitéria foi perdoada por seu pai, com a ajuda do Imperador que enviou uma carta solicitando o perdão ao soldado(a), Maria volta ao convívio com a família. Casa-se com seu primeiro namorado e tem uma filha.

A rebeldia, coragem, graciosidade, atitude e vitórias de uma mulher soldado numa época absolutamente “machista” tornam única a emocionante história de Maria Quitéria.

Podemos encontrar bons livros com detalhes de sua brilhante história, que eu deliberadamente resumi, nas últimas páginas dos marketplaces de livros ou escondidos nas últimas seções de bibliotecas.

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